Paulo, um seridoense abençoado por Deus. Emoção por encontrar uma criança tão feliz com tão pouco.

Meio dedo de prosa e uma lição para eu encadernar um capítulo no livro da minha vida. Paulo Sérgio apareceu de repente em minha frente trajando uma roupa social com gravata e sapatos, ele atendia ao meu pedido onde poderia tomar um cafezinho naquele posto de gasolina na cidade de Currais Novos.

A temperatura da cidade exigia um sorvete, mas como de costume, quando se aproxima três e meia da tarde, o relógio da saudade desperta para uma parada, hábito herdado de família. Minha avó Déborah reunia quem tivesse em casa para um café, acompanhado de bolo ou tapioca.img-20161202-wa0030

Paulo Sérgio Vitor da Silva, 8 anos, é um menino de sorriso largo, vestido de gente grande que se destaca no pronto atendimento para os visitantes que param no posto de gasolina e mais uma loja de conveniência. Um ser humano enviado para pensarmos que o mundo ainda tem jeito e existem pessoas muito simples com fé em Deus e dispostas para mudar a realidade em que vive.

Paulo mora  com o pai deficiente. Segundo o garoto, os pais são separados. Sua mãe mora em Bodó, distrito de Currais Novos,  e os oito irmãos moram com a avó na cidade,  mas ele ficou para ajudar ao pai nas tarefas domésticas. Estuda no 1º ano, na Escola Municipal Trindade Campelo, no centro cidade e ‘trabalha’ no posto ajudando aos taxistas e visitantes.

Para o futuro, ele pensa em trabalhar como policial ou motorista da Samu. ‘Quero trabalhar ajudando as pessoas, quero dirigir uma ambulância e salvar vidas”, diz ele quando indagado pela profissão a seguir.

Orgulhoso de ter sempre um trocado na carteira para manter a casa, ele diz que ainda ajuda nas tarefas domésticas, pois seu pai tem uma perna amputada, se locomove apenas em cadeira de rodas.img-20161212-wa0031

A satisfação em conversar e mostrar que é feliz pela vida que leva é revelada através do seu sorriso e da convicção que Deus o protege. Ele diz que brinca com os amigos, mas o que gosta mesmo de fazer é de ir ao posto para ajudar.

Segundo o caixa da Conveniência, o ‘look’ de Paulo foi doação de uma funcionária que também o enxerga com um carinho especial, acompanha o seu rendimento escolar como outros funcionários e clientes que gostam e incentivam para que ele não abandone os estudos.

Essa experiência me rendeu uma coragem imensa naquele momento.  Paulo não sabe o impacto de suas palavras nas nossas mentes e corações. É, nossas mesmo, porque não estava só, ainda tive uma testemunha, minha amiga Larissa Rios, que me acompanhava na cidade onde fomos realizar um evento.  Ela também foi escolhida para compartilhar desse momento mágico que rendeu muita emoção. Saímos cheias da Graça do Espírito Santo. Cada uma com seus problemas, mas, certamente, bem mais leves.paulo-e-larissa

Não teve elixir melhor do que conhecer um pouco da história daquela criança que se destaca pelo entusiasmo em viver.  O calor de um cafezinho aqueceu o coração para um desejo ardente de enxergar o outro, exercício muito bom para amenizar nossas dores  e desviar nosso olhar para o que realmente vale à pena.

 

 

 

 

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O Senhor me livra de todos os temores. O bom dia de Albany Dutra fala da confiança em Deus!

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A confiança em Deus é o bálsamo! Por Albany Dutra já no ar.

 Bom dia a Todos

Por Albany Dutra

Foto; Graciema Carneiro Agreste Potiguar

Foto: Graciema Carneiro
Agreste Potiguar

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A fé dos sertanejos! Por Albany Dutra.

Bom dia a Todos

Por Albany Dutra

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Obrigado Senhor, por poder regar a vida do teu povo com as águas advindas do céu.

A paisagem que antes era cinzenta, opaca, agora se transformou no verde da esperança.  Vegetação que antes eram galhos secos, quase sem vida, agora exibem a protuberância de suas folhas. Açudes e barragens sangrando de alegria. Rios e Riachos correndo água, como o leite que jorra do peito materno. Assim é a maneira com que o Senhor quer que caminhemos na sua presença. A fé e a confiança como motivo de que tudo poderá ser mudado e transformado pela força da oração e pela espera paciente. Esse exemplo que vem do povo do Sertão, nos ensina, que nossas vidas podem estar atravessando a pior seca, a maior aridez física, material ou espiritual, porém, se confiarmos no Senhor, clamarmos a sua misericórdia sobre nós, e fizermos a nossa parte, chuvas de bênçãos serão derramadas! Aqueles que confiam no Senhor revigoram suas forças,não temem situações adversas,ao contrário, partem para luta.

Eles podem ter “galhos secos”, mas, as raízes são profundas,capazes de, ao receberem a água do Espírito Santo ,brotar mais forte e superar mais uma vez, aquilo que parecia não ter saída.”Nunca houve noite ou seca  que pudesse impedir o nascer do sol e a esperança de um bom inverno para o homem do campo. Para eles, não há problema que possam impedir as mãos de Jesus para lhe ajudar. Na simplicidade e humildade, ano após ano, a esperança de que a chuva vem, os mantém firmes na fé. Logo mais, a sua mesa estará farta do alimento regado por Deus e plantado pelo trabalho de suas mãos! Que nunca nos falte a fé, a confiança e a esperança, de que Jesus tudo pode realizar em nossas vidas!

Via Albany Dutra 03/02/2016.

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Há esperança sim!

– Seu sonho?
– Quero ser professor! Diz Emanuel.
– Eu quero muito ser aquela pessoa que ajuda as outras a viver melhor, como é mesmo o nome? Responde ansiosa, Maria José.
– Voluntária.
– Você sabe que voluntária não recebe dinheiro?
– Não. Tanto faz! Para mim, o melhor é ajudar, quando crescer, quero ser isso mesmo.
Esse diálogo entre crianças de 9 a 12 anos, moradores do distrito rural de São Bento, renovou minha esperança em acreditar que, através da Educação, podemos sonhar com dias melhores. A conversa aconteceu durante uma visita minha a Serra de São Bento, onde descobri belezas locais e me deparei com uma escola cheia de encanto e esperança. Uma escola montada pelo sonho de Emanuel, um garoto de 12 anos, franzino, olhos grandes, bastante simples e muito observador.
Conheci Emanuel Luiz de Lima através de sua tia, dona Marinês Estevam, uma pequena comerciante do local, que confia, não só no tino comercial do menino, mas também já o admira pelo interesse que demonstra quando o assunto é educação. Os moradores dos sítios próximos estimulam seus filhos a frequentarem a escola de Emanuel e dão o apoio quando eles precisam, tão grande o comprometimento do aprendiz de professor.
O comportamento pelo qual ajuda a tia no atendimento aos clientes, me chamou a atenção, e começou aí uma emocionante história que escolhi para o dia de hoje em homenagem a todos os professores que sonham e teimam que esse mundo tem jeito.
A escola de Emanuel, é chamada assim até a escolha definitiva do nome, foi uma conquista. Uma casa de herança do avô paterno que ele conta com emoção quando sua família queria repartir ou vender, mas com seu apelo por fazer do espaço uma escola para mudar a vida dos primos e dos amigos em volta, sensibilizou os herdeiros.
A curiosidade falou alto e marquei de ver de perto essa casa e o que realmente acontecia por lá para manter o brilho naqueles olhos verdes, quando falava que era professor.
No horário marcado cheguei por lá, nada difícil, a poucos metros do chalé que estava hospedada. A acolhida foi emocionante. Fui recepcionada pela turma de cinco crianças, que já me esperavam para a visita. Percorri os vãos pequenos que precisam de uma melhoria, sem banheiro, sem conforto, sem energia, mas, ao entrar na sala de aula fui surpreendida. Improvisada, com quatro cadeiras bem desgastadas, o espaço conta com o som da campa que vem de um aparelho de micro-ondas quebrado. A estrutura de barro e tijolos de um do forno antigo à lenha abriga livros e brinquedos. A porta do armário quebrada virou uma lousa, mesmo o lápis teimando por não riscar, as cadeiras sem o amparo dos braços, não tiram o interesse de nenhum deles a reconhecer que ali eles podem sonhar em ter uma profissão.
Percebi os detalhes da organização das crianças em separar os ambientes. O material doado pela vizinhança é levado para a sala da bagunça. ‘De lá, só sai, depois de limpo e melhorado’, diz Maria José, super orgulhosa. Os encontros não acontecem só para fazer as tarefas do colégio, mas também para colorir, limpar o terreno, brincar e ler, além de Emanuel estimular à pesquisa nos exemplares dos didáticos já adquiridos através de doações. ‘Ainda são festejados os aniversários e também o são joão’, diz a diretora da escola Maria Gabriela da Silva de 14 anos, escolhida, pela idade, para gerenciar o espaço.
‘Não riscar, não gritar e não mentir’ fazem parte das regras gerais da boa convivência, diz Emanuel com uma moral para qualquer um ter inveja. E, exibindo alguns livros doados pelas professoras da Escola Municipal de Monte das Gameleiras, ele me apresenta os alunos: Lucas Gabriel, 9 anos; Maria Eduarda Estevam, 7 anos; Maria Carolina Estevam, 9 anos; Maria José Queiroz, 11 anos; e Maria Gabriela de 14 anos. “Ainda tem mais dois primos para participar, o convite já foi feito, estamos aguardando”, conta Emanuel.
E assim, no vale onde o vento sopra um vento frio e forte, vindo de Araruna-PB, entre os animais, vegetação rasteira e cheia de pedras gigantes, duas vezes por semana, é possível ver essa meninada reunida, brincando de ler e de aprender, que me fez sorrir e chorar diante de uma vida tão simples e com o emanuelturmajaneladesejo de voltar lá para levar os gibis e lápis prometidos.

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