Um tesouro nos Caminhos do Frio da Paraíba é fonte de inspiração para alunos de Artes.

img_1174

CÔCA e sua arte de fazer panelas em barro

Entre as riquezas encontradas nos Caminhos do Frio da Paraíba, eis uma mulher de sorriso franco que resiste à  arte de fazer cerâmica. ‘Côca’, como é conhecida, perpetua os ensinamentos de gerações passadas em produzir peças de barro em forno de ‘munturo’.

A estrada que dá aceso à cidade de Areia, destino final da pequena turma, é bonita demais de se percorrer. A subida da serra é uma atração à parte. A vegetação seca contrasta com o verde aqui e acolá das propriedades que têm irrigação e mantém viva as plantações, a forragem para o gado e de outros animais.

Apesar do corpo franzino, Maria Medeiros, 60,  ainda tem muita disposição em pegar literalmente na massa, apesar de reconhecer que não pode mais trazer sozinha o barro,  matéria-prima para executar o trabalho. ‘Hoje pago para que o barro chegue aqui de carrinho de mão para eu separar e começar a lida”, conta a artesã. De cócoras, e, já pronta para iniciar uma demonstração do passo a passo da produção das peças, ela recebe um grupo dos alunos do professor Eduardo Balbino, oriundos de João Pessoa.

img_1255

A serra e suas diversidade

E foi nesse cenário onde a temperatura fria chega a noitinha que encontra-se o distrito de Chã da Pia, a 10km de Areia, duas horas da capital paraibana que a turma desembarcou e testemunhou um momento sem igual.

img_1196

Professor Eduardo e sua turma do Barro Forte

Segundo Balbino “A interação com Côca, em seu ambiente de trabalho, fará uma grande diferença na formação do repertório criativo dos participantes” e completa “A lição in loco de como preparar uma peça, por quem até já exportou, e hoje decora ambientes por esse mundo a fora, servirá de vivência prática para o grupo que ensaia suas primeiras produções.

A artesã, olhando para as ferramentas espalhadas pelo chão, começa a quebrar e limpar o barro que deverá ser amassado e molhado para virar louça.  Entre os visitantes houve até quem se arriscasse e também colocou a mão na massa.maria-coca

sania

Sânia Pina e a satisfação de fazer uma peça com a artesã

Foi o caso de Sânia Almeida Pina, 55, aposentada e cheia de planos para começar projetos envolvendo arte e sustentabilidade. Segundo a economista “A simplicidade daquela mulher e a sua alegria em fazer arte com o barro me encheram a alma”. E complementa: “Participar das aulas de arte, com Eduardo Balbino, no Barro Forte, foi, sem dúvida, um dos melhores passos que dei na direção do buscar estar melhor, de aprender o novo”.

O melhor aprendizado mesmo veio através do sorriso de quem se realiza fazendo o que gosta. Mas, a tristeza também bate à porteira e se revela no rosto de Côca,  sofrido pelas marcas do sol quente da região, quando lamenta ser solteira,  não ter filhos, e não ter tido o interesse em nenhum sobrinho ou outro familiar  por perpetuar a técnica que deu sustento à família até hoje.img_1192

Sem  assinatura ou mesmo um  rabisco,  as peças, vão tomando com uma rapidez que deixa os visitantes cheios de curiosidade e estímulo para desenvolver o trabalho. A marca da simplicidade em mostrar os  jarros, oratórios, pratos, travessas, panelas, fogaréus  mostra que o empreendedorismo não chegou na ceramista, muito menos a ansiedade de se ver reconhecida. Uma generosidade à parte para quem comercializa sem o devido valor da labuta e da herança histórica da arte do Barro, dos sertões e cariris do nordeste brasileiro.

  • img_1255
  • img_1165
  • img_1205
  • img_1168
  • img_1182
  • img_1212
  • img_1252
  • img_1191

Tags:, ,