Ponto Cruz! Um dos segredos de dona Hozana em chegar aos 91 anos de bem com a vida.

  Viver muito todos querem. Chegar bem é privilégio dos que se cuidam diariamente, sem exagero e com simplicidade.

Entre meadas de linhas, peças de bico bordado, uma máquina de costura e um pôster que emoldura a parede de um quarto com menos de três metros quadrados é o lugar onde vive  dona Hozana Soares de Medeiros, 91 anos,  feliz e grata a Deus por ainda conseguir bordar e fazer seus trabalhos manuais que, por algum tempo, serviu de renda extra para ajudar nas despesas de casa e hoje é o elixir de sua longevidade.20160830_152741

Natural de Montanhas, interior do Rio Grande do Norte, ela exibe com orgulho  seu quarto/ateliê, apesar de pequeno, cada coisa tem seu canto, e, em cada canto, uma marca de uma senhora simples e realizada com a vida.

Dona Hozana lembra com saudade de seu marido, João Marques, viúva há 30 anos. Eles vieram para Natal em 1960 para montar um comércio de variedades no Alecrim, a ‘Casa Marques’. “Trabalhamos muito e meu interesse pelos trabalhos manuais começou para ajudar nas despesas e também para presentear a família. Fazia cursos oferecidos pelos Clubes de Mães e vi que tinha talento” relata.

João era viúvo e pai de quatro filhos quando casou com Hozana e ainda tiveram sete filhos. Num total de 11 criados por ela  e hoje responsáveis pelos  30 netos e 15 bisnetos. Com um  sorriso de quem ainda tem uns 50 anos pela frente, ela afirma que a paciência é um dos segredos por celebrar mais de nove décadas de vida.  “Desejar o bem às outras pessoas também faz muito bem ao coração” completa a receita. Apesar de diabética, ela diz que isso não atrapalha em nada, mantém com controle e cuidado as taxas para não extrapolar. E assume “De vez em quando ainda provo um pedacinho de bolo, não como carne vermelha e as noites me rendo à uma coalhada”. Nunca se alimenta tarde e já fez muitos exercícios, dando preferência à hidroginástica que foi a última atividade.

Vaidosa, ela exibe o avesso de sua última encomenda, duas toalhas bordadas em ponto cruz com um acabamento perfeito, sem nenhum fio solto ou mal teravessominado e, quando recebe elogio, diz com simplicidade que é pela visão privilegiada, depois de ter feito a cirurgia de catarata.

As almofadas feitas de tranças de fitas de cetim expostas em seu sofá da sala é motivo para arrancar um sorriso  pela satisfação de ter enviado algumas peças para decorarem as casas de parentes na Itália, Rio Grande do Sul e em outros lugares de Natal.

Professora

A habilidade é referendada por Vancy Bezerra, costureira aposentada e vizinha de apartamento. Após descobrir  que dona Hozana fazia tão hozana e vancybem o bordado, pelo menos três vezes por semana ela vai ouvir as explicações  e as avaliações da ‘Mestra’. Perguntada pela ideia de ser professora nessa altura da vida, a idosa rir e responde com humildade “Ela é interessada e aprendeu muito rápido todos os pontos”, além da prosa regada a um bom café, as duas passam horas escolhendo pontos e linhas para começar o trabalho.

Mudança

Dona Hozana mora com a filha Edna Medeiros e uma das netas Gisely num prédio de vinte andares na Zona Sul de Natal. A família mudou de uma casa no bairro em Neópolis, espaço bem maior, mas por uma questão de segurança optou por cômodos menores. Elevador e a altura do prédio eram temidos pela filha por ser fatores que geralmente alteram o comportamento dos idosos. “Mas ela já está adaptada e não reclamou de nada” declara  Edna. A presença constante dos filhos e as visitas de amigos à dona Hozana, não deixaram-na ter saudades da outra moradia. O segredo da longevidade está também no desapego, na alegria e na disposição para as mudanças, ressalta.

Rotina

“Acordo cedinho e já vou rezar o terço. Depois tomo café e vou fazer meus trabalhos manuais. Procuro ativar o cérebro com pensamentos positivos, me concentro no que tenho para fazer, e é isso que me dá prazer. Tenho uma visão muito boa e isso ajuda muito” afirma.

“Gosto de sair, viajar e visitar meus filhos, netos e sobrinhos e, quando preciso comprar os pertences para produzir meus trabalhos, chamo por um  filho para me levar no Alecrim, faço questão de escolher tudo” relata a senhora que, entre um clique e outro, vai contando suas lembranças.

Sempre de bom humor e animada para as festas em família, ela mostra, em seu aparelho celular, as fotos tiradas no final de agosto, no casamento da sobrinha. A imagem com os noivos, mostra o bom gosto para se vestir e a satisfação de estar presente nas celebrações em família.  D. Hozana faz questão de comparecer a todos os convites que recebe e também ajuda  na decoração quando é solicitada A próxima já tem data marcada. O aniversário de dos dois anos de sua bisneta será em outubro e as lembrancinhas das mesas já estão a todo vapor.20160830_153109

Mas, as encomendas são poucas, o ritmo é outro e, como a família cresceu muito, o sorteio foi a solução encontrada para satisfazer a todos.  Exemplo disso, no dia dos pais, bordou uma toalha e  sorteou entre os filhos.

Vida

Dona Hozana teve dificuldades em sua vida, perdeu um filho e enfrentou outros problemas inerentes a quem está vivo, mas o recado dado pela entrevistada é bastante claro, a resiliência frente à cada provação, sem dúvida, vem da fé em Deus e do equilíbrio emocional. Não adianta perder a calma e nem complicar. Bons hábitos alimentares, exercícios físicos e mentais também levam à uma boa qualidade de vida.

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A história emocionante de uma paciente de câncer que teve o Crochê como um forte aliado para sua recuperação.

agnes1A sentença de morte para quem é surpreendido com um diagnóstico de câncer é superada a partir de relatos de pessoas que ficaram boas e levam uma vida normal – até mesmo melhor – depois de curadas. O impacto é aterrorizante e muitos falam do filme da vida que vem na mente, os desejos não realizados, os projetos de vida deixados para depois.  Mas, para muitos que têm fé, condições de bancar e levar o tratamento a sério; e têm o apoio que necessita, não só assistência médica, mas da família e amigos, fazem da trajetória da cura uma descoberta para uma nova vida e são exemplos para quem acha que não tem jeito e perde a esperança.qui,io

A história a seguir é de uma amiga de Escola Doméstica que descobriu um forte aliado, um companheiro para seu tratamento e, já se prepara,  para, agora na fase de controle, empreender na área do artesanato, graças à sua coragem e resiliência.

Para a corretora de imóveis, Agnes Dieb Ubarana, 55 anos, divorciada,  mãe de Bárbara, 30, e Ari Filho, 27,  foi bem assim. Após o anúncio do médico responsável pelos exames e à perspectiva do tratamento a ser enfrentado para a retirada dos linfonodos de sua mama direita, ela pensou no desejo de lutar para ficar boa, sem pensar nos males da doença. “Isso fez uma diferença muito grande, pois sentimentos negativos não me deixaram ficar triste e nem revoltada”, conta.

Durante o tratamento, apesar de tortuoso, Agnes nunca deixou se abater pela depressão. Iniciou o ciclo da quimioterapia, depois veio a cirurgia e, por último, a radioterapia, totalizando um ano da fase mais pesada do tratamento. Todo o processo foi acompanhado pela mastologista  Ana Susy de Góis Cruz, além de uma equipe médica super empenhada na resposta positiva do seu organismo frente às sessões semanais ou mensais de medicação.  “Sou muito grata à minha irmã Adélia e aos meus filhos que não me deixaram sozinha por um segundo. O amor é o melhorremédio nesses momentos”, desabafa.

Agnes e seu filho Ari. Emoção na parceria da cabeleira raspada.

Agnes e seu filho Ari. Emoção na parceria da cabeleira raspada.

Um dos momentos mais marcantes para a maioria dos pacientes que se submetem à quimioterapia é a perda dos cabelos, mas Agnes encarou com naturalidade.  “Comigo não foi diferente, quando me disseram que iria cair, antecipei e raspei logo a minha cabeça e, para minha surpresa, meu filho raspou também a dele para me encorajar e fazer companhia”.

Mas, entre tantas fases a serem vencidas, precisava ocupar a cabeça com alguma coisa que a deixasse bem, com pensamentos positivos. Ela fazia questão de preparar sua própria alimentação, pois assim trabalhava com a cabeça e as mãos, já que não podia sair de casa devido ao tratamento.

primas

As ‘Diebs’: Yamna, Agnes, Adélia, Angela, Ana Helena e Tueta.

E nesse tempo de reclusão, envolta pelas lembranças de sua mãe, veio o crochê. “Entre meus 7 a 8 anos, ela me ensinou a brincar de fazer o trabalho manual. Contava os pontinhos e fazia as peças para orgulho e descanso dela, me entretia” relata.  Era uma forma que Dona Marili encontrava de deixar a menina quieta.  O crochê também foi disciplina na Escola Doméstica, na 5ª série, quando tinha uns 11 anos,  recorda com muito orgulho que, à época, até ensinava  às colegas o jeito simples de fazer. Hoje, apesar de a mãe estar ausente, o crochê voltou à cena, agora, protagonista de uma história de superação. “Ele foi e é meu elixir. Nas salas de espera das quimioterapias, na recepção das clínicas dos médicos, em casa, e nas reuniões semanais entre ‘As Diebs’ – um grupo formado por primas que mesmo antes da minha doença, se reunia para conversar -, o crochê é  o destaque” conta.

Nessa nostalgia reencontrou a agulha e a linha e iniciou sem pretensão, a produção das peças. Sapatinhos para bebês, blusas e panos de mesa já recebiam muitos elogios da família que a encorajava.  E foi nos preparativos para o natal e com o desejo de presentear a sobrinha  Marina, que encarou seu primeiro desafio. “Fiz três vezes uma saída de banho para acertar” relatou Agnes. ‘Ficou muito bonito e aprovado por todos e por Marina”, finalizou.  Depois, a produção cresceu e fez a artesã acreditar que um ponto é capaz de desfazer os nós que tentam povoar em nossas mentes.

Assim,  Agnes que atualmente está encerrando o ciclo de vitaminas injetáveis, irá continuar o tratamento via oral por cinco anos e também faz planos para se aperfeiçoar à técnica do crochê. Ela já enxerga a atividade como uma fonte para sua subsistência e também para suas novas amizades feitas a partir do trabalho.  Já está se profissionalizando através de um curso do Sebrae no qual deverá abrir portas para comercializar as peças. Agnes  também sentiu a necessidade de fazer seu perfil nas mídias sociais e, aos poucos, vai expondo o seu material  feito com muito amor e responsável  pela sua recuperação.

Mas, a lição que tiramos dessa história de Agnes é que não sabemos da força e da capacidade que temos frente à uma situação, estamos sempre nos descobrindo e nos reinventando a partir de uma mudança que muitas vezes atropelam a  vida em um segundo, a partir de um resultado de um exame.  E o autoconhecimento é um ponto destacado por essa amiga que, no silêncio entre  fazer um ponto de crochê construiu uma parceria que a motivou a continuar seus sonhos e a alegria de viver, fora a fé em Deus, ponto de partida para tudo em sua vida.

Contato para encomenda:

Instagram @agnesdieb

Facebook  Agnes Dieb Ubarana

Contato:  99987 9870

 

 

 

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