A ditadura da beleza incomoda e banaliza sentimentos na visão do jornalista Eugênio Parcelle. Confira!

Por trás de uma “aparente” brincadeira pode se esconder insinuações que terminam por machucar o outro. Pois é, a simples postagem de mulheres jovens e seminuas pode representar uma afronta para quem tem um corpo e uma pele desgastada pelo tempo. E isso acontece de ambos os lados, masculino e feminino, afinal, quem resistiria a 15 minutos de inconfidências verdadeiras do seu parceiro real? Cala-te boca!

A ditadura da juventude surge em diversas nuances e envolve prazer, vaidade e luxúria, entre outros predicados. Num mundo mecanizado, constrói-se tudo quando se tem para pagar, somos objetos de consumo – mesmo que tudo termine se dissolvendo no ar. Mulheres siliconizadas e homens bombados seduzem pela beleza plástica, mas poucas e poucos resistem à meia hora de conversa significativa, inteligente, que agregue valor. Agregado a isso, milhões de mensagens subliminares invadem as mentes todos os segundos – pena que a grande maioria não perceba…

No final de contas, o legal é enfrentar o espelho e ter tesão pelas marcas do tempo. Ver o ser amado(a) se desnudar sem vergonha, mostrando-se inteiro(a) com todos os seus “defeitos” que se transformam em perfeição no olhar do amante, e daí curtir o máximo do prazer possível. Ali, naquele momento, há toda uma história, todos os momentos passados e vividos que levaram até aquele instante único, interno e pessoal.

Os apelos da indústria da vaidade terminam por desviar as atenções do que realmente importa. Para quem percebe esta manipulação do olhar, homens e mulheres fabricados transformam-se em sujeitos feios, meras fachadas, cascas de cadáveres. O legal é ver a diferença, sentir o outro com intensidade, ir além do físico e penetrar na alma para conquistar, e, passar a ter, o gozo divino. Para isso, tem que adentrar nas profundezas do ou da acompanhante e sentir a intensidade do que é dois seres se transformando em um. É sair da superficialidade e viajar pelo universo…

Universo do olhar, do toque, da pele, do som, do cheiro…da troca.

Via página do Facebook de Eugenio Silva  eugenio

Eugênio Parcelle da Silva é jornalista e filósofo, amante da natureza e defensor de uma vida bem vivida.

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